"É possível manter a saúde física e mental mesmo sendo profissional de educação" foi a tema da palestra que participei, no segundo dia do Congresso.
A minha expectativa em relação ao enfoque que as palestrantes iriam dar ao tema não foi contemplada. Em primeiro lugar, não ficou claro se era uma pergunta ou uma afirmação. Pelo que consegui apreender das falas das duas palestrantes é impossível para o educador manter-se saudável e mesmo aqueles que acham estar saudáveis estão doentes em virtude das condições de trabalhado que vivenciam.
Para mim, quando se fala em saúde, não importa de qual profissional se esteja falando, deve-se ampliar a discussão para a questão de prevenção, da atitude de vida ao invés de simplesmente permanecer na questão das condições de trabalho.
É indiscutível que as condições de trabalho de qualquer trabalhador afeta a sua saúde e que elas precisam ser refletidas, discutidas e melhoradas, mas atribuir a este aspecto toda a culpa pelos problemas de saúde que a pessoa venha a ter é não encaminhar a discussão de forma responsável.
É preciso analisar o ser humano como um todo. O trabalho é apenas um dos aspectos da vida de cada um de nós. As pessoas precisam se dedicar mais a analisar sua atitude em relação à vida.
Vivemos num mundo em que o consumismo está consumindo os valores humanos, deturpando o discernimento e estabelecendo prioridades de vida que precisam ser reavaliadas.
Exigir condições dignas de trabalho é direito de todo trabalhador.
Lutar contra este sistema econômico-social, muitas vezes catalogado como "perverso", é fundamental.
Contudo é dever de cada um de nós refletir se não estamos alimentando este sistema, valorizando e priorizando o consumo desenfreado, a idéia do levar vantagem em qualquer situação, de achar um culpado pelas nossas mazelas ao invés de assumirmos a responsabilidade por nós mesmos, pela nossa vida e pelas escolhas que fazemos, em detrimento a valores como a ética, a honestidade, o respeito e a responsabilidade consigo mesmo e com a sociedade em que vivemos.
Quando as discussões se encaminharem para este campo de reflexão, acredito que conseguiremos encontrar caminhos mais apropriados para preservarmos nossa saúde física, mental, emocional e, porque não dizermos, também a espiritual.


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